A palavra mito tem origem grega (mithós) e sua definição está relacionada às narrativas simbólicas das diversas culturas e religiões. As origens dos mitos e da literatura são semelhantes, na opinião dos escritores Alberto Mussa e Aleilton Fonseca, que abriram o Café Literário com o tema "A literatura se alimenta do mito?". "O mito é um discurso teórico sobre alguma coisa e as literaturas orais são as manifestações da arte de narrar, que evoluíram para as formas conhecidas de escrita", afirma Mussa.
Autor de "Meu destino é ser onça", livro que está sendo lançado nesta Bienal, Alberto destacou a repetição dos temas mitológicos nas diferentes culturas. "Explicações sobre a origem da vida e sobre fenômenos sobrenaturais estão presentes em civilizações totalmente diferentes", diz. O autor citou a bíblia como exemplo clássico, cuja narrativa sobre o dilúvio, considerada exclusiva, foi encontrada em textos de povos da Mesopotâmia, 2 mil anos antes de Cristo. "A maneira de contar muda, mas o tema, não", enfatiza.
Poeta, ensaísta e membro da Academia Baiana de Letras, Fonseca sustenta que os mitos são narrativas simples, mas respondem a questionamentos existenciais para o ser humano e, consequentemente, se refletem na sua produção literária. Ele citou como exemplo Darcy Ribeiro, que no romance "Maíra" "traz para a literatura oficial a contribuição da mitologia indígena". Outros nomes de peso foram citados para enriquecer o debate sobre a literatura e o mito, com destaque para Camões e Guimarães Rosa. Aleílton afirma que "a cultura brasileira tem o diferencial de sofrer fortes influências de duas culturas ágrafas: a africana e a indígena, além das culturas européias".