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Realidade e ficção em debate no Café Literário
Data: 19/04/2009 Fonte: Via Press Comunicação
Se a vida imita a literatura, o contrário também é verdade. Afinal, “o romance inacabado é como a vida, sem princípio, meio e fim”, enfatiza Arnaldo Bloch, na primeira sessão do Café Literário neste domingo. Ele é autor de “Os irmãos Kamarabloch: ascensão e queda de um império familiar”. Neste livro, narra a história de sua família e da construção de um império de comunicações, que começou com a revista Manchete e chegou a incluir, emissoras de rádio e tevê, gráfica, editora de livros e dezenas de publicações periódicas.
Para o autor, “a biografia definitiva é uma falácia, eu, inclusive, continuo escrevendo este livro em meus sonhos, reconstruindo os personagens num processo infinito”. Bloch diz ter percorrido o caminho inverso do historiador baiano Antônio Guerreiro, que lançou há um mês o livro “Canô Velloso: lembranças do saber viver”, cujas entrevistas foram realizadas com o cuidado de preservar a intimidade da família. “Quis reconstruir a história no que ela tem de mais abrangente, então, não tive cuidado nenhum no começo”, afirma o carioca.
Guerreiro conta que, após receber autorização dos oito filhos da matriarca dos Velloso, gravou seus depoimentos durante cinco meses. O livro reúne os trechos das entrevistas selecionadas pelo historiador. “Dona Canô pretende doar o material completo para os filhos, no dia das mães”, diz. A mesa intitulada “A vida imita a literatura ou é o contrário?” contou ainda com a presença de Luiz Ruffato, autor da pentalogia “Inferno Provisório” e de “O livro das impossibilidades”, sua última publicação.
O escritor mineiro afirmou que procura “fazer na ficção um trabalho de historiador, porque a história é uma ficção, apesar de alguns acharem que sua abordagem é objetiva”. Ele citou o exemplo de Antônio Guerreiro, que construiu uma história sobre Dona Canô. “Se fosse outro historiador, com o mesmo material em mãos, construiria uma outra história”, analisa. Ruffato comentou um de seus livros, “Eles eram muitos cavalos”, em que coloca um operário no centro da narrativa. “Na literatura brasileira, são raras as vezes em que o operário aparece como personagem principal, não como militante, mas como um ser humano comum, com desejos, medos e sonhos”, encerra.