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Literatura une culturas diferentes
Data: 21/04/2009 Fonte: Via Press Comunicação
Dois escritores: um amazonense, o outro, cearense. O questionamento em torno do qual Márcio Souza e Ronaldo Correia de Brito se reuniram foi: “Na literatura, falar de si mesmo é falar do mundo?”. A conversa, que aconteceu no Café Literário, ultrapassou as fronteiras do norte e nordeste brasileiros. Antes de explorar o tema, Márcio lembrou as origens da literatura, que, segundo o autor, está enraizada no mito. “Mas a emoção do mito está na sua narração”.
A discussão sobre a universalidade da literatura tomou como exemplo as diferentes narrativas, seus autores e contextos das culturas nacional e internacional. Para Correia de Brito, “o homem tem necessidade de se narrar”. Ele falou sobre seu último livro, “Galiléia”, que levou oito anos para ser finalizado. “Este trabalho tem recortes da minha memória, mas, depois de escrito, as memórias já não me pertencem: são algo compartilhado com outros indivíduos”. O escritor atribui a esse processo o nome de “apropriação de memórias”, princípio da identificação entre autor, obra e leitor. Segundo Correia de Brito, essa apropriação independe das realidades de quem lê e de quem escreve.
A contextualização das obras de acordo com as realidades de seus autores também foi senso comum entre os mediadores do debate. “A maioria dos meus livros se passam na Amazônia, porque essa é minha realidade imediata e, assim, posso explicar para mim mesmo as ações e pensamentos dos personagens”, afirmou Márcio, que também possui romances ambientados em São Paulo. Para o autor, “soaria falso um escritor baiano ou amazonense escrever sobre a realidade escandinava”. Ele complementou que não se trata de uma regra, mas, de um princípio segundo o qual “quem escreve sobre sua aldeia se torna universal”.