Uma conversa informal entre dois escritores e um público embevecido diante de tanta cumplicidade: Rubem Alves e Elisa Lucinda expuseram suas idéias sobre poesia e literatura no auditório do Centro de Convenções, dentro da programação do Café Literário da 9ª Bienal do Livro.
A poesia como ferramenta de educação foi uma das questões colocadas em pauta. "A forma como a poesia é apresentada ao indivíduo é fundamental: se não for de uma maneira convidativa, pode traumatizá-lo", afirmou Elisa, cujo comentário fez Rubem lembrar da primeira poesia que o marcou: "Cântico negro", de José Régio. O texto foi também o primeiro poema que Elisa aprendeu. E, quem esteve no bate-papo, pôde ouvi-lo na voz da poeta.
No decorrer da conversa, Rubem falou sobre a música que existe na poesia e enfatizou: "a experiência poética é um ritual antropofágico: o verbo se transforma em alimento no momento em que devoramos a obra". Em seguida, recitou "Rei do Mar", de Cecília Meireles.
Esse e outros poemas foram recitados no decorrer da noite, sob fortes aplausos da numerosa pláteia. Entre um texto e outro, a dupla contou histórias presentes no livro "A poesia do encontro", idealizada pelo jornalista e cronista da Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein. O livro foi lançado em primeira mão no mercado baiano durante a Bienal.