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"É possível acreditar em Deus?"
Data: 23/04/2009 Fonte: Via Press Comunicação
Um encontro histórico e emocionante marcou a noite desta quinta-feira, 23, na 9º Bienal do Livro da Bahia. O escritor e militante de movimentos pastorais e sociais, Frei Betto, e a educadora e membro do terreiro Tanuri Junssara, Makota Valdina, se reuniram para debater o tema “É possível acreditar em Deus?”
A discussão polêmica reuniu pessoas de diferentes idades, credos e religiões, em um sincretismo que lotou a Arena Jovem Oi, um dos espaços culturais do evento. Frei Betto começou dizendo que Deus independe de religião e que a espiritualidade existe desde que os homens se encontram na Terra. Mas deixou claro que o fato de crer não o torna melhor do que ninguém. “Mais do que ter fé em Jesus, eu gostaria de ter a fé de Jesus”.
O jornalista, antropólogo e Frade dominicano, ressaltou que é preciso assumir a espiritualidade nos conflitos. Porque “Deus é amor, mas a vida de Jesus foi cheia de conflitos. A pauleira de Jesus começa na dor de corno de José” e alertou “Jesus é o caminho. Mas tem muito padre e pastor querendo cobrar pedágio. Cuidado!”
Makota lembrou a importância do papel das escolas no aprendizado humano, não para ensinar religião, mas para ensinar as pessoas a respeitarem toda forma de religiosidade. “Temos que desconstruir padrões. Não acho que a lei deve obrigar o ensino do candomblé nas escolas, mas acho que é preciso ensinar a respeitar todas as religiões que existem em solo brasileiro” afirmou, lembrando que as pessoas têm o direito de acreditar no que quiserem e até de não acreditar em nada. “Deus aceita a gente de qualquer jeito”.
Quando questionado sobre a religiosidade na literatura Frei Betto disse que toda obra literária, consciente ou inconsciente por parte do autor, é uma forma de oração porque quando a gente escreve se coloca inteiro na palavra e isto é oração. “Quando falo, eu digo o que penso e quando escrevo, digo o que sinto”.