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Ruy Castro e Nelson Motta lotam auditório do Café Literário
Data: 24/04/2009 Fonte: Via Press Comunicação
Um bate-papo descontraído em torno de biografias reuniu os escritores Ruy Castro e Nelson Motta no auditório da 9ª Bienal do Livro da Bahia. Autor de “Uma biografia de Carmen Miranda” (Companhia das Letras, 2005), Ruy apontou os dois tipos do gênero: as não autorizadas, “aquelas que a gente faz com a cara e com a coragem”, e as autorizadas, negociadas com a família, que entrega todo o material e abre todas as gavetas para a produção do texto. Mas, “antes da publicação, eles tiram tudo o que querem do livro, ou seja, não tem graça nenhuma”, conclui. Bem humorado, Castro disse que o biografado ideal é aquele que já faleceu, e, de preferência, há mais de dez anos, “pois o morto recente nunca tem defeitos”, completou.
O processo de realização da biografia trata da reconstituição da vida de uma personagem. Tal caminho pode ser feito de mais duas formas, além da biográfica: através do perfil e da memória. Mas é na biografia que o trabalho de pesquisa e apuração de informações aparece de forma mais evidente. “Para investigar a vida de uma personagem eu preciso entrevistar pelo menos 200 pessoas. E para chegar nessas 200 pessoas, preciso falar com mais 200”, exemplificou Castro.
Ainda sobre a busca da informação, Nelson Motta disse que teve que aprender a filtrar as histórias mais interessantes acerca de Tim Maia, no livro “Vale Tudo - O som e a fúria de Tim Maia” (Editora Objetiva). “Todo lugar que eu ia sempre tinha alguém que tinha algo a contar sobre ele. Isso é muito bacana”, falou. Motta também comentou que a vida de Tim foi um prato cheio. “É o sonho de qualquer ficcionista, pois ele vivia louca e intensamente. Poderia até ser uma ficção. E daria uma ficção maravilhosa, inimaginável”, se diverte.