Uma aula sobre a música brasileira dos anos 30, 40 e 50. Assim pode ser definida a conversa entre o jornalista e escritor Ruy Castro e o escritor e compositor Paulo Sergio Valle na Arena Jovem Oi. Em pauta, a Bahia na música de Carmen Miranda. Paulo lembrou episódios marcantes na biografia da cantora, dentre os quais sua ida para os Estados Unidos e o subsequente sucesso experimentado em solo brasileiro. As mudanças em sua carreira após o encontro com Dorival Caymmi também foram abordadas no bate-papo.
Ruy Castro, que estudou durante cinco anos a biografia de Carmen para publicá-la em 2005, lembrou seu estilo diferenciado de interpretação para os padrões da época. "Ouvi nesse período o trabalho das cantoras líricas dos anos 30. Todas cantavam do mesmo jeito. E, de repente, surge Carmen. Ela colocava bossa nova nas músicas". Segundo o autor, essa influência veio do período que ela viveu no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, dos 5 aos 16 anos. "Era um lugar frequentado por todo mundo e foi lá que Carmen aprendeu a malandragem e a malícia que ouvimos em suas canções", afirmou.
O começo da carreira de Carmen coincidiu com a abertura da rádio brasileira para a música popular. "E ela foi a primeira artista a ser contratada, com todos os direitos garantidos", afirma o biógrafo, lembrando que, nesse período, as pessoas passaram a comprar rádios e fonógrafos para ouvir Carmen Miranda. Mais que isso, os compositores se permitiram escrever músicas com malícia por saber que haveria quem as executasse.